terça-feira, 1 de setembro de 2009

O POVO QUER SABER!


1- Nome completo e idade
Meu nome é Thaís Cristiane dos Santos, tenho 30 anos.

2- Onde e quando nasceu?
Nasci na Moóca, em São Paulo (capital) em 31 de janeiro de 1979. Mas desde que nasci, nunca mais voltei lá...

3- Fale um pouco sobre sua família.
Bem, sou filha de João Batista dos Santos, (já falecido) e de Lourdes Albano dos Santos, tenho um irmão mais novo, atualmente com 26 anos, o Thadeu. Somos simples, já passamos poucas e boas e batalhamos pela vida.

4- Quais lugares você já morou e em qual você voltaria?
Bom, quando nasci, minha família morava em Ferraz de Vasconcelos – SP, onde vivi até 5 anos. Mudamos para Indaiatuba – SP nesta época e permanecemos até os meus 15 anos. Em 1994, morei em Conselheiro Lafaiete - Minas Gerais, eu estava no segundo ano de Magistério e estudei no Napoleão Reis, escola que minha mãe havia estudado na infância. Voltei a morar em Ferraz e depois retornamos a Indaiatuba. Voltar a morar? Minas, mas talvez não em Lafaiete.. mas Belo Horizonte.

5- Qual organização/ denominação pertence e há quanto tempo? Quem é o seu pastor?
Sou membro da IBNAI – Igreja Batista Nova Aliança em Indaiatuba/ SP, há 12 anos, uma igreja em células. Meu pastor é Ademir Machado da Silva.

6- Qual a sua formação?
Sou professora e fiz Pedagogia, com habilitação em Administração Escolar. Fiz algumas matérias teológicas e missiológicas também.

7- Qual agência missionária você faz parte?
Não faço parte de nenhuma agência missionária. Sou missionária efetiva direto da minha igreja, que é uma igreja enviadora.

8- Como foi o seu chamado e como foi a confirmação do seu chamado? (Denilson – IBNAI)
Meu chamado se deu de uma maneira muito especial no Pico do Jaraguá (numa programação com jovens, fomos fazer trilha) em 2001. Depois de toda aquela subida ao Pico, descansando e olhando para a rodovia dos bandeirantes, Deus me disse: “Está vendo esta estrada? Ela não tem começo, nem fim. Assim eu te farei... sem começo nem fim e os quatro cantos da cidade de Indaiatuba, não serão limites para o que eu tenho para sua vida!”
Eu não entendi bem, mas algo no meu coração me dizia que eu não estaria sempre na minha cidade... alguma coisa me faria sair.
Depois disso, a confirmação do meu chamado se deu mesmo numa conferencia missionária da minha igreja, que é bem envolvida e comprometida hoje com missões.

9- Como vc escolheu Moçambique? (Luciana Pegoraro – Indaiatuba - SP)
Na verdade Moçambique foi chegando aos poucos. Em 2001, eu tinha a Índia como alvo de um possível trabalho. Mas as portas não se abriram. Tempos depois, me inscrevi num programa que enviaria jovens para a África portuguesa (um dos cinco países de língua portuguesa da África), mas como o grupo demorou para se formar, acabei desistindo e quando saí, o grupo se formou, de uma maneira muito rápida. Entendi então que não era meu tempo de sair! Em 2006, através do meu Pastor Ademir Machado da Silva, fui a Guiné Bissau, passando por Cabo Verde e Senegal, para conhecer a implantação de uma escola de ensino fundamental em outra cultura, um lindo projeto, fundado há mais de 10 anos.
Sempre fazendo contatos com brasileiros ao redor do mundo, mandei um e-mail para a líder do grupo que eu estaria (acabaram indo para Moçambique), fizemos uma amizade via e-mail e ao final de 2007 ela me convidou para trabalhar na Escola El Shaddai, uma escola de ensino fundamental que havia iniciado suas atividades naquele ano. Minha igreja aceitou o desafio de me enviar, meu pastor aprovou e cá estou por dois anos letivos.

10- Qual é exatamente o seu trabalho? (Luciana Pegoraro – Indaiatuba - SP)
Bem, sou uma missionária cristã evangélica trabalhando com minha profissão. Pedagoga de formação, com habilitação em Administração Escolar, sou voluntária em Moçambique, em especial, na Escola El Shaddai, que atende crianças em situação social de risco, a partir da primeira classe: 6 anos.
Meu trabalho consiste em treinar a equipe de nacionais da escola, para o exercício de um trabalho de excelência em educação. Aqui, ministro treinamentos para professores, implemento projetos a serem desenvolvidos na escola nas diversas áreas – leitura, matemática, agropecuária, reforço escolar, higiene, etc, desenvolvo estratégias junto aos professores para avaliação do processo ensino aprendizagem, coordeno o trabalho dos diretores e coordenação pedagógica, também com capacitações, dentre outros trabalhos administrativos na instituição, levando a palavra de Deus como carro-chefe de todo o trabalho. Para além disso, dou estudos em educação cristã para jovens e prego nas igrejas que me convidam.

11- Você me disse que após alguns meses em Moçambique foi que "caiu a ficha" e que deu uma angustia, como foi isso? (Denilson – IBNAI)
Na verdade não foi angústia, intitulo “A crise dos 7 meses”. Todos nós entramos em crise algum dia, por conta de mudanças e quando mudamos de cidade, país, isso é muito evidente. Quando cheguei, foi festa, tudo diferente, eu podia ver com meus próprios olhos tudo aquilo que eu lia nos livros, havia estudado e ouvia dos missionários nas conferências. Ouvir as pessoas falando dialeto, os cultos que nunca acabam... com danças diferentes, as palmas, as visitas, ter que pegar ônibus e depois de horas chegar para evangelizar, viajar toda semana para comprar alimentos e chegar ao final do dia lutar para conseguir transporte para voltar à casa... entrar no transporte e pensar: “Puxa, consegui” Enfim, festa!Depois dos 7 meses, tudo isso perdeu a graça... tornava-se cansativo só de pensar que pra comer maçã, eu teria q viajar uma hora para comprar... estar nas rodinhas e algumas pessoas começarem a falar em dialeto pois é assunto que não interessa a você ou não querem que você saiba, ficar duas horas no ponto de ônibus sem a certeza que conseguirá transporte para chegar em casa, enfim... perdeu a graça. Comecei a lembrar das minhas facilidades de quando estava no Brasil... meu carro que me levava a qualquer lugar e eu poderia estar nas casas das pessoas após 18 horas sem depender de transporte... minha liderança... meu pastor... os adolescentes... autonomia para gastar minhas férias como quisesse, tudo! A cabeça entrou em parafuso.. nem fui no culto aquele dia e no chão, com lágrimas, não saia nenhuma palavra da minha boca, só mesmo clamar ao Espírito Santo que intercedesse em meu favor... era uma mudança de vida que ainda eu estaria vivendo nela e tendo que me acostumar, para os próximos 17 meses!

12- Como vc se sente ao aperceber que seu tempo aí já está em contagem regressiva, e certamente ainda há tanto por fazer? (Martha Oliveira – Maceió - AL)
Ao mesmo tempo que isso me traz inquietação, ao saber que eu poderia fazer mais, me traz também satisfação, em ter feito o que estava ao meu alcance dentro do período que me dispus a trabalhar aqui.
Sendo bem realista, penso também que é a oportunidade para outra pedagoga com chamado missionário, vir para cá continuar meu trabalho. O corpo de Cristo tem essa função! A propósito, quem vem?

13- Você acredita que será possível manter em tamanha atividade sua vocação missionária, da maneira desafiadora que vc tem trabalhado aí tão distante, quando estiver de volta a seu país de origem? (Martha Oliveira – Maceió - AL)
Penso que em atividade missionária eu sempre estarei. Mesmo quando eu ainda não havia pisado em campo transcultural, minha vida já era missionária e eu sempre fui muito ativa. Manter contato com missionários que estão no campo, dar suporte, fazer parte de um conselho missionário, viagens de curto prazo, tudo isso faz parte de missões e o lugar para isso, pode ser o vizinho da casa ao lado, meu chefe no serviço, meu professor da escola, enfim.
Com certeza os “tipos de atividades” mudarão, afinal, são lugares diferentes com propósitos diferentes.
Minha intenção ao voltar e permanecer um tempo no Brasil, também faz parte do plano de Deus para a minha vida e nem sempre o ativismo direto é o plano de Deus em todos os momentos (Há tempo para tudo... Eclesiastes 3). O desafio do crente, do missionário, é entender qual momento ele está vivendo em Deus e fazer isso intensamente, com um coração obediente e grato. O melhor lugar para se estar é dentro da vontade de Deus e para isso nem sempre este lugar é necessariamente o campo transcultural... mesmo sendo um missionário que um dia já foi chamado para fora da sua cultura...

14- Certamente vc já não é a mesma Thaís de dois anos atrás. Qual é a melhor mudança que vc percebe em vc mesma, diante de tantas experiências vivenciadas no ministério? (Martha Oliveira – Maceió - AL)
Essa pergunta me fez pensar e muito...
Bem, penso que estou menos imediatista, mais ponderada nas conclusões.
Nem tudo o que é fácil e óbvio para mim, é para as pessoas ao meu redor. Para mim é óbvio que se tenha que fazer bainha nos 4 lados do tecido que será toalha de mesa, mas para eles, não é. Só se faz em dois lados! Para mim é óbvio que quando eu não posso te hospedar em minha casa três meses, seja por questões financeiras ou até mesmo por não te querer este tempo todo em minha casa, que eu seja sincera e com educação te diga isso, ou que eu proponha que dividamos as despesas deste período, mas para eles, não é! Quando eu estava ainda no Brasil, dentre os meus, isso era menos gritante, tínhamos em geral, as mesmas vivências. Isso aqui, se ampliou, pois as experiências que eu vivi no passado e as conclusões que eu cheguei ninguém aqui viveram. Ao passo que muitas coisas que eles viveram, eu não vivenciei (tradições culturais, guerra) então, nem tudo era óbvio e isso me trouxe uma ponderação maior na conclusão dos fatos e no conviver com as pessoas.
Não que eu esteja 100% ponderada, mas foi uma mudança positiva.

15- Você conseguirá ficar no Brasil se lembrando dessas crianças que receberam tanto de você e agora vão estar novamente na carência? (Miriam Rocha – Indaiatuba - SP)
Bom, creio num Deus que elabora planos perfeitos para seus filhos. Penso que o mesmo Deus que me trouxe para servi-las, continua as amando! Tenho aprendido que eu não posso abraçar a tudo quanto eu quero e cada coisa tem seu tempo.
Ainda não sei como será o meu retorno, afinal são dois anos longe da minha própria cultura e penso que o primeiro sentimento seja “sou uma estrangeira em minha própria terra”, me deparado com tantas diferenças ao regresso. Imagino que eu vá lembrar de cada rostinho com saudades... lembrando que Deus cuidará deles, da mesma maneira que ele cuidou da minha família quando eu vim para Moçambique. Tudo o que fazemos é pela fé. Prefiro acreditar que Deus está no controle. Como eu tenho convicção que está!
Mas se eu não conseguir ficar no Brasil, farei uma nova proposta e retornarei!!

16- Você viu quanta diferença fez nesses dois anos para os que trabalharam nessa escola com você, na igreja onde ministrou, para os pais, para o lugarejo, e o crescimento educacional, emocional, espiritual, além de outros, pois nós aqui só vimos o que você escrevia. E agora? Será que vão ter suporte para manter isso tudo e continuar a crescer? (Miriam Rocha – Indaiatuba - SP)
Uma das minhas intenções ao vir, foi realmente marcar uma geração e motivá-la a perseverar, crerem no potencial que possuem! Sou uma idealizadora por natureza e amo caminhar rumo a objetivos. Acredito que abri um leque em muitos segmentos, principalmente na escola. Procurei neste período, caminhar o mais perto de cada funcionário da escola possível. Muitas vezes eu preferia pegar meu prato de almoço e descer, para sentar na esteira e comer junto com os trabalhadores, para ouvir histórias, contar as minhas, conhecer mais da cultura e tudo mais. Meus discípulos diretos viam isso e percebo que eles procuram, na maneira deles, fazerem o mesmo. Minha esperança é que continuem com tudo o que já está iniciado. Muitas coisas que eu comecei, já virou hábito e não está mais sob minha responsabilidade, os próprios nacionais já absorveram.
Estou certa que aquilo que entrou no coração, vá continuar!
Minha oração é que outra pessoa com dedicação passe por eles e nem que não fiquei dois anos letivos como eu, mas que seja o suficiente para se sentirem amparados. Quero muito que possam ir além... que a nossa auxiliar possa voltar estudar e concluir o Curso de Formação de Professores, nossa diretora possa continuar evoluindo, quem sabe retomar aos estudos, enfim...
Tenho que crer, que Deus é dono desse negócio e nenhum dos planos que ele mesmo elabora, tenha furos ou lacunas.

17- Quão importante é o apoio da igreja e principalmente da sua família? (Denilson Shimabukuro – IBNAI)
É ultra mega super hiper importante! Louvado seja Deus pela IBNAI e visão dada por Deus ao Pr. Ademir acerca de missões, do meu envio e tudo relacionado. Tenho uma igreja que de fato está na retaguarda e se eu tivesse que sair ao campo novamente por ela, eu não teria dificuldades em aceitar. Pr. Ademir é um pastor presente e hora nenhuma me deixou aqui ao léu, bem como a Silvana, minha discipuladora. O fato de ter acesso fácil a internet também ajudou a muitos amigos e irmãos na comunicação, todos os dias eu me comunico com alguém pela internet, fico sabendo as novidades. Agradeço a Deus pela mãe que eu tenho, ela de fato ama ao Senhor. Sei que não foi fácil me liberar para estar nas nações e vejo o quanto Deus é glorificado em minha vida em ter esperado o momento certo. Não só eles, mas tenho mais algumas pessoas que são apoio para o meu ministério caminhar, me enviando materiais, mobilizando campanha, a Débora é uma delas, agradeço pela logística que faz com tanta dedicação. Muitas correrias para conseguir as coisas que eu preciso, buscar ali, levar aqui. A todos, Deus abençoe!

18- O que pretende fazer em 2010? (Jéssica – IBNAI)
Bom... com relação ao trabalho, passa muita coisa pela minha cabeça, mas nada definido. Ainda não recebi de Deus um direcionamento específico. A certeza que Deus já colocou em meu coração, é que não é tempo de renovar contrato para Moçambique, meu tempo é de Brasil.
Mas em geral, quero me “reintegrar na sociedade brasileira”, viajar, passear e algumas vezes sem rumo, rever pessoas, visitar parentes, continuar conhecendo pessoas, despertar e encorajar outras igrejas falando do trabalho realizado em Moçambique, enfim!

19- Qual sua maior apreensão ao voltar para o Brasil? (Jéssica – IBNAI)
Apreensão..... a primeira é a readaptação a minha cultura. Não sei como será! Quando estamos muito tempo fora e voltamos, nos sentimos estrangeiros em nossa própria pátria. Estou ausente há praticamente dois anos e não vivi nada do meu país neste tempo, apenas ouvi falar... então, terei que me readaptar. Olhar na cidade e ver que muita coisa mudou... as cores das fachadas não são as mesmas, as pessoas mudaram de casas, as crianças cresceram. Na igreja, verei todos sabendo cantar as músicas novas destes dois anos de ausência e eu nem conhecer quem é o cantor... os programas, os líderes. muita gente nova... acho que vou me sentir um peixe fora d’ água no início...

Uma segunda apreensão é com minha nova rotina... embora eu esteja ansiosa para estar na minha casa, indo ao mercado comprar quando quiser, fazer as visitas na casa da Lourdes, passear com os adolescentes, conversar com minhas amigas até altas horas da noite e voltar para casa 23 horas... retornar a fazer tudo isso será novidade...

A terceira apreensão é com as próprias pessoas. Minha oração é que cada uma delas também possa me olhar como Thaís e não simplesmente como a Thaís, que foi fazer coisas e que tem coisas acerca dos seus feitos para lhes contar. Mas lembrarem que eu sou pessoa e que para mim e em mim, muita coisa mudou!

Resumindo... minha maior apreensão está na readaptação! Mas sei que Deus está no controle!

20- O que vai sentir mais saudade dai? (Jéssica – IBNAI)
Das minhas crianças da escola...

21- Agora a Thaís... (não acerca de trabalho) Quais os sonhos ainda faltam realizar? (Anônimo)
Eeeeiiii..... Sabe que tempos atrás eu estava conversando com uma amiga pelo msn e falávamos sobre isso. Muitas coisas que eu queria, já fiz! Muitas... a maioria. Não me restam muitas coisas. Até me assustei quando fiz esta reflexão. Mas, penso que este retorno ao Brasil, marca o fim de uma etapa. O que virá eu não sei, mas uma certeza eu tenho... são sonhos que o Senhor ainda colocará em meu coração. Talvez já esteja colocando sem eu perceber!
Dos meus sonhos pessoais a realizar ainda há a publicação do meu livro; uma viagem à Machu Picchu, no Peru, que eu quero fazer de mochila, ainda andarei no trem da morte; quero conhecer a Chapada dos Guimarães; estudar inglês num país de língua nativa e ter o prazer de mobiliar minha casa própria. Quem sabe um dia... casar e ter filhos! Mas isso é outra história, que não exige planejamento, se acontecer, amém, se não acontecer, amém também!

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